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O cão, comumente chamado de cachorro, é um mamífero canídeo e
talvez o mais antigo animal doméstico. Teorias postulam que
surgiu da domesticação do lobo cinzento asiático pelos povos
daquele continente há cerca de 100.000 anos. Ao longo dos
séculos, através da domesticação, o ser humano realizou uma
seleção artificial dos cães por suas aptidões, características
físicas ou tipos de comportamentos. O resultado foi uma grande
variedade de mais de 400 raças caninas, que atualmente são
classificadas em diferentes grupos ou categorias. O vira-lata
(Brasil), ou rafeiro (Portugal) é a denominação dada aos cães
sem raça definida, SRD, ou mestiços, descendentes de diferentes
raças.
O cão é um animal social que na maioria das vezes aceita seu
dono como o “chefe da matilha” e possui várias características
que o tornam de grande utilidade para o ser humano, possui
excelente olfato e audição, é bom caçador e corredor vigoroso, é
omnívoro, é inteligente, relativamente dócil e obediente ao ser
humano, com boa capacidade de aprendizado. Desse modo, o cão
pode ser adestrado para executar grande número de tarefas úteis
ao homem, como cão de caça; pastorear rebanhos; como cão de
guarda para vigiar propriedades ou proteger pessoas; farejar
diversas coisas; resgatar afogados ou soterrados; guiar cegos;
puxar pequenos trenós e como cão de companhia. Esses são os
motivos da famosa frase: "O cão é o melhor amigo do homem". Não
se tem conhecimento de uma amizade tão forte e duradoura entre
espécies distintas quanto a do homem-cão.
Origens e história do cão
Os cientistas concordam que o cão doméstico surgiu do lobo e que
é uma variedade ou sub-raça deste, haja vista o nome científico
do lobo Canis lupus e do cão Canis lupus familiaris.
As origens do surgimento do cão doméstico se baseiam em
suposições, por se tratar de ocorrências de dezenas de milhares
de anos atrás. Uma das teorias é a de cães surgiram há 100.000
anos atrás por seleção artificial de filhotes de lobos cinzentos
que viviam em volta dos acampamentos humanos pré-históricos, se
alimentando de restos de alimentos ou carcaças deixadas como
resíduos pelos caçadores-coletores. Os seres humanos perceberam
que havia certos lobos que se aproximavam mais do que os outros
e reconheceram certa utilidade nisso, pois eles davam alarme da
presença de outros animais selvagens, como outros lobos ou
grandes felinos. Eventualmente, alguns filhotes foram capturados
e levados para esses acampamentos humanos, na tentativa de serem
criados ou domesticados.
Com o passar do tempo, os animais que, ao atingirem a fase
adulta, se mostravam ferozes, não aceitando a presença humana,
eram descartados ou impedidos de se acasalar. Desse modo, ao
longo do tempo, houve uma seleção de animais dóceis, tolerantes
e obedientes ao ser humano, aos quais era permitido o
acasalamento e que, quando adultos, eram de grande utilidade,
auxiliando na caça e na guarda do acampamento. Isso levou
eventualmente à criação dos cães domésticos.
Desse modo, postula-se que muitas das características dos cães,
como lealdade ao dono, instinto territorial e de caça, foram
herdados do lobo. Postula-se também que a importância do cão
para o ser humano seja muito maior do que imaginamos. Ou seja,
com o mesmo auxiliando a caça e vigiando acampamentos, o ser
humano teve oportunidade de desenvolver a fala e superar o
robusto homem de neandertal.
Os cães aparecem em pinturas pré-históricas de cavernas por
volta de 4.500 a.C., em representações de caçadas. Nessa época
foi encontrado também o cabo de uma faca entalhado com o desenho
de um cão usando coleira.
Na Mitologia egípcia do Antigo Egito, os cães também eram
mumificados para representação de Deuses. Neith, esposa de Rá, é
a deusa da caça que abre os caminhos, que tem por animal sagrado
o cão.
As diferenças de tamanho entre as raças já eram aparentes há
mais de nove mil anos e, na época do Império Romano, as
principais raças atuais já tinham sua estrutura definida. Foram
encontradas placas nas casas de Pompéia, com a inscrição cave
canem (cuidado com o cachorro), obviando que cães eram
utilizados por aquele povo como guardiões.
Desde a idade média a imagem do cão encontrou lugar de destaque
nos brasões de grandes famílias e também na heráldica.
Os sentidos dos cães
Os cães são da família dos canídeos, que possuem um dos animais
mais temidos do mundo, os lobos. Essa família de predadores
possue sentidos apurados para captura de presas.
Olfato
Com 30 vezes mais tecidos sensoriais olfativos do que o ser
humano, essa capacidade olfativa permite que sejam adestrados
para encontrarem inúmeras coisas, como drogas, vazamento de gás,
minas terrestres e pessoas soterradas.
Audição
Os cães ouvem sons quatro vezes mais distantes do que o ser
humano, além de ouvirem ultra-sons de até 60 Khz, inaudíveis aos
seres humanos, que só escutam até 15 Khz.
Visão
A visão noturna dos cães é muito melhor que a dos humanos. Seu
ângulo de visão também é mais amplo, devido aos olhos estarem ao
lado da cabeça. Os cães não enxergam a cor verde.
Curiosidades
A maior raça de cão é o Irish Wolfhound, cujo peso deve ser em
torno de 54 quilos.
A menor raça de cão de guarda é o Pinscher Miniatura.
A menor raça de cães do mundo é o Chihuahua.
"De todos os animais que conhecemos é o cachorro o que mais se
uniu a nós. Sejam príncipes que lhe dão farta comida e leito de
plumas, ou mendigos que dormem ao relento e só podem
oferecer-lhe uma pequena parte das suas próprias migalhas,
idêntica é a sua afeição e dedicação, e com igual amor lambe a
mão ornada de jóias e os dedos trêmulos, consumidos de doenças e
fome." (Théo Gygas, em "O cão em Nossa Casa")
O DNA do lobo e do cão diferem em apenas um por cento. Apesar
dessa diferença mínima, o tratamento do ser humano com esses
dois seres vivos é muito distinto. Enquanto a população de cães
acompanha de certo modo o aumento da população humana, os lobos
estão ameaçados de extinção pelo abate ilegal e diminuição do
habitat.
Grupos de raças caninas
De acordo com a CBKC (Confederação Brasileira de Cinofilia),
órgão filiado ao FCI (Fédération Cynologique Internationale),
existem onze grupos de raças no Brasil:
Grupo 1: Cães Pastores e Boiadeiros (Exceto Boiadeiros Suíços)
Grupo 2: Pinscher e Schnauzer, Molossóides, Boiadeiros e
Montanheses Suíços e raças assemelhadas
Grupo 3: Terriers
Grupo 4: Dachshunds
Grupo 5: Spitz e cães do tipo primitivo
Grupo 6: Sabujos Farejadores e Raças Assemelhadas
Grupo 7: Cães Apontadores
Grupo 8: Cães D'água, Levantadores e Retrievers
Grupo 9: Cães de Companhia
Grupo 10: Lebréis ou Galgos
Grupo 11: Raças não reconhecidas pela FCI, como American Pit
Bull Terrier, Ovelheiro Gaúcho e o Bulldog Americano, entre
outros.
Exemplos de raças populares
Ver artigo principal: Lista de raças de cães.
Afghan Hound
Akita
Basset Hound
Beagle
Bichon Frisê
Boxer
Chihuahua
Chow Chow
Cocker
Dálmata
Daschund
Dobermann
Dogue Alemão
Elkhound
Fila brasileiro
Husky Siberiano
Labrador
Landseer
Lhasa Apso
Maltês
Newfoundland
Pastor alemão
Pequinês
Pinscher
Pit bull
Poodle
Pug
Rottweiler
Samoeida
São Bernardo
Shih-tzu
Terrier Brasileiro
Tesem (cão dos antigos egípcios)
Yorkshire Terrier |