Existem certo cães que, sem dúvida, abusam do direito de latir. Latem o
tempo todo, ou a noite inteira, atrapalhando nossas vidas, irritando vizinhos,
e, por que não confessar, muitas vezes diminuindo o prazer de termos um cão
dentro de casa.
Não existe um único motivo que cause este problema. Na verdade são várias
as causa, e, em muitos casos, nós mesmos estamos ensinado os nossos cães a
latirem sem parar. Da mesma forma, não existe também um único tipo de latido.
Como os cães só se comunicam latindo, muitas vezes temos que descobrir porque
nosso cão late tanto, para podermos chagar a algum a solução.
Latido de Alarme:
Existem muitos cães
de guarda que têm este comportamento. Raros são os
Pastores Alemães e os
Schnauzers,
por exemplo, que não latam sempre que alguém entra no território que guardam.
Este é o comportamento normal destas raças. Eles latem para dar o alarme. O
Schnauzer do jornalista Paulo Henrique Amorim,
por exemplo, ficou famoso por evitar que uma quadrilha, que assaltava o seu
prédio, entrasse em seu apartamento, pois ele não parava de latir. Esta é a
função dele!
Comunicação:
Muitas são as ocasiões, porém, em que nós mesmos ensinamos nossos cães a
latir. Não são raros os relatos de cães que latem para pedir comida; para
pedir para entrar em casa; para sair da casa; etc. É uma comunicação que se
estabelece entre o cão e seu dono, onde eles se entendem muito bem. Esta
comunicação em si não é ruim, muito pelo contrário quanto mais clara a
comunicação entre o dono e o cão, melhor. O problema começa quando o dono
culpa o cão pelo excesso de latidos, quando a verdade é que ele foi treinado,
e estimulado a fazer isso. Toda vez em que você atende a um “pedido” que seu
cão faz latindo, você reforça esta comunicação.
Latidos
para conseguir atenção:
Outra situação comum: a do cão que late para conseguir a atenção de seu
dono. Isto é muito mais comum do que se imagina. Este comportamento ocorre
tanto em cães muito dominantes, como em cães muito carentes. Não é raro ouvir
relatos de cães que começam a latir assim que seu dono atende ao telefone. O
que ocorre é simples: tais cães não agüentam que seu donos não lhes dê atenção
o tempo inteiro. Quando, porém eles desandam a latir sem parar, o dono para de
falar ao telefone para mandar o cão parar de latir, e assim o cão consegue o
que quer, que é chamar a atenção de seu dono.
O interessante é que este mesmo recurso regularmente é usado por cães muito
carentes, que ficam sozinhos o dia inteiro. Eles começam a latir sem parar até
que seu dono aparece na porta e manda-os parar. Não é difícil de entender que
este cão aprendeu como ter a atenção de seu dono: é só começar a latir sem
parar.
Soluções
Estes casos que descrevo acima estão longe de ser sem solução. A solução é
bastante simples: é só “quebrar” a expectativa do cão. Isto significa agüentar
seus latidos sem reclamar, e só dar atenção ao cão quando ele parar de latir.
Com isso fazemos com que estes cães deixem de associar a nossa chegada aos
seus latidos. O grande problema aqui é que raros são os donos que conseguem
simplesmente deixar o cão latir. A Maioria não agüenta, e acaba confirmando a
expectativa do cão. Com isso, dificilmente quebramos este círculo vicioso.
Vizinhos
Sei que muitas vezes nossos vizinhos não têm tanta paciência como nós, nem
mesmo o sono tão pesado quanto o nosso. Não são raros os relatos de pessoas
ameaçadas por vizinhos menos compreensivos, e, em muitas ocasiões, o próprio
cão chega ser ameaçado, ou de fato machucado. Muitos são os proprietários que
têm que resolver a questão de forma mais radical, pois muitas vezes a
permanência do cão na casa depende disso. O que existe para resolver este
problema?
Coleiras anti-latidos
São acionadas pelo som do latido do cão. As mais conhecidas são as que
trabalham soltando um jato de citronela perto do focinho do cão, e a que dá um
pequeno (é o que dizem) choque no cão. A idéia é que o cão associe o latir a
sensações desagradáveis: o cheiro ruim e o choque. Há, no entanto, alguns
problemas aqui: na maioria das vezes o cão volta a latir assim que tira a
coleira; e ainda temos os casos de cães que se acostumam com o efeito da
coleira, no caso da citronela. Portanto não é infalível, e muitas vezes pode
ser cruel.
Operação das Cordas Vocais:
Muito usada na Inglaterra, esta operação corta as cordas vocais do cão,
impedindo-o de latir, ou mesmo de emitir outros sons. É bastante efetiva, mas
só aconselhada se você não tiver outra opção, pois não deixa de ser muito
cruel, e polêmica. A maioria das associações de defesa dos animais se arrepia
só de falar desta operação.
Treinamento:
Pode ser feito com rojões ou outras bombinhas. Mas se você optar por ele,
não espere, depois, que seu cão lata quando um estranho entrar em casa. O
trabalho consiste em fazer com que seu cão associe o latir a algo ruim. No
caso usaremos rojões, pois a grande maioria dos cães morre de medo de fogos.
Se você soltar rojões (ou outras bombinhas) sempre que ele começar a latir,
ele pensará que é o latido dele que faz os rojões estourarem. Com isso ele
ficará com medo de latir. O negócio aqui é ficar preparado: assim que ele
começar você começa também. Quando ele parar de latir, os rojões também devem
parar, como se realmente uma coisa fosse a conseqüência direta da outra. Seu
cão irá tentar latir de novo, para ter certeza se é o latido, mesmo, que causa
os tais estouros. E você deve estar a postos. Quanto mais rápido você for,
melhor o resultado do treinamento.
Existem, sem dúvida, outros latidos que estão longe da nossa compreensão.
Muitas vezes nossos cães latem para sons e barulhos que estão há milhas de
distância, e que são absolutamente inaudíveis para nós humanos.
Outras vezes também, percebemos que existe uma comunicação entre os cães,
da qual nós humanos estamos totalmente excluídos. Quem mora em casa sabe que
certos cães latem sempre, porém há certos tipos de latidos que soam como se
fossem um chamado, onde todos os cães da rua começam a latir em resposta. O
que eles significam? Estamos muito longe de saber. Para nós humanos todos os
latidos são iguais, mas para eles há uma grande diferença. É só prestar a
atenção nas diferentes reações que eles têm a cada latido, para perceber.
Se você não gosta de latidos, procure adquirir cães de raças que latam
menos. Converse sempre com vários proprietários da raça que você escolheu, e
não só com quem está vendendo a ninhada. Muitas vezes alguns criadores sem
escrúpulos dizem qualquer coisa só para te vender um filhote. Portanto,
fique atento. Procure também, sempre que possível, não recompensar seu cão
por latir. Pois neste caso o grande culpado pelos latidos será você, e não o
cão.