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Cachorros podem
até entrar em coma por excesso de chocolate.
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Nero Antonio
só tem seis meses, mas já vai passar a Páscoa de castigo. Além de não
comer nenhum pedaço de chocolate, o pequinês terá de se contentar com
um almoço "light": uma porção de carne moída sem sal e gordura, três
doses de soro caseiro e água. Coisa de convalescente: há um mês,
Nero quase morreu de crise hepática depois de comer quatro pedaços de
chocolate dados pela dona. A overdose acabou em vômitos incessantes.
"Nunca imaginei que o organismo dele fosse tão sensível", conta a
dona, a advogada Alessandra Antonio, 28. "Sou viciada em chocolate e
não aguentava ficar olhando aquela carinha triste sem dar uns
pedacinhos para ele", lembra. Situações como a de Nero são comuns
nesta época do ano, graças aos donos que, como Alessandra, não
resistem ao olhar pidão do bicho. O problema que a maioria ignora é
que o chocolate tem uma substância chamada teobromina, que pode
provocar intoxicação, aumento da pressão arterial, taquicardia,
arritmia cardíaca, excitação, tremores e convulsão. Em situações
mais graves, dependendo da quantidade e da sensibilidade do animal, o
cão corre o risco de entrar em coma. "Vômito e diarréia são reações
para limpar o organismo e colocar a substância para fora", explica
Márcia Mery Kogika, 41, professora de clínica médica da veterinária da
USP. Para ter uma idéia do estrago, um cachorro de 2 kg pode
sofrer intoxicação com uma barra de 100 gramas de chocolate escuro. A
substância é encontrada em maior quantidade nesse tipo de alimento do
que no branco ou no chocolate ao leite. "O chocolate para consumo
humano é gorduroso e contém muito açúcar, que não é metabolizado pelo
organismo do animal", explica a veterinária Cristiane de Castro
Fendrich, 28, que cuidou da crise hepática de Nero. "O excesso de
açúcar pode até levar o cão à cegueira", adverte a veterinária. É
bom lembrar que, assim como os seres humanos, os animais não reagem da
mesma maneira diante do que comem. As raças de grande porte costumam
ser mais resistentes; os pequenos, como poodle, yorkshire, lhasa apso,
maltês e pequinês, são geralmente mais sensíveis e suscetíveis a
problemas no fígado. "Isso não significa que um pastor alemão está
livre de riscos", ressalta Cristiane. Para atender aos "cães
chocólatras", há ovos de Páscoa específicos, à base de gordura vegetal
hidrogenada, com cheiro, cor e sabor de chocolate, mas sem cacau e com
menos açúcar. São vendidos em embalagens de 50 gramas, com preços
entre R$ 4,50 e R$ 9. Mas mesmo esses, consumidos em excesso, podem
desencadear problemas gastrointestinais. "Se quiser dar, que seja
em pequenas quantidades e, mesmo assim, fique atento a possíveis
reações", aconselha Bernardo José Di Cezare, 49, que na semana passada
atendeu um cachorro com overdose de chocolate especial. Antes de
reservar um ovo para seu "amigão", converse primeiro com o
veterinário. |
| Autor:
Roberto de Oliveira |
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